segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Obedece, obedece, obedece, depois faça o que quiser


Sempre caracterizei "A senhora das especiarias” como o livro mais feminino (ou menos masculino) que já li.
Agora já não tenho certeza...
Com “O leque secreto” me surpreendi e me encantei.
Um livro doloroso, doce e comovente.
Numa paisagem rural da China do século XIX, Lírio Branco, uma senhora de 80 anos, viúva ou “a que ainda não morreu” relata suas percepções e sentimentos à respeito da sua essência, da família, do amor e principalmente da amizade.
Seus anos de menina (e de quase toda dama), quando auxilia no que lhe cabe nas tarefas domésticas e desde cedo já é consciente de que é um fardo porque “ter uma filha mulher é ainda pior que ter um cão”.
A tradição milenar da vendagem dos pés (chegavam a 7 cm. 7 cm. 7 cm. Sabe o que é isso? Um polegar!).
Pés pequenos, altamente erótico naquela época para os homens chineses, acarretavam em boas recompensas (lê-se: bons casamentos)
O sofrimento não somente físico como também a dor do peito, da mente e da alma que tão jovens já eram submetidas.

A tortura e a superação.
Nessa mesma época, com 7 anos, conhece sua alma gêmea – sua laotong - que será sua cúmplice, a única e verdadeira amiga, Flor de Neve.
E desde este momento passam por todas as demais etapas da vida, paralelamente.
Com Flor de Neve e sua tia, Lírio Branco descobre a existência de uma escrita secreta – o nu shu - com símbolos em leques de seda, dominada somente por mulheres.
Uma maneira de compartir com as demais, suas penas, alegrias, dilemas e felicidades.
E logo, conta seus anos de cabelo preso, quando já foi prometida em casamento à alguém a quem nunca viu, os anos de arroz e sal, sua vida matrimonial e a construção da família, até chegar aos anos de recolhimento, quando enviúva e espera a morte.

O livro é excelente!
Chorei um par de vezes de lágrimas vivas!
E daí..
Tem uma velha canção, daquele nosso velho conhecido, que insistia em estar em mim, enquanto lia o livro.

“Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito”
Hein?
Como?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Unhé e chocalhos

Não. Não. Não.
De maneira nenhuma.
Não agora.
Não ainda.

Inconscientemente meus atos demonstram...
Me percebo rindo para bebês desconhecidos; baixando o som do mp4 só pra ouvir as "conversações" com seus pais; agarro pézinhos; faço cosquinhas; curativos com direito a assopros; pego no colo; embalo; converso a língua do goin-goin; fico quase louca acariciando e esfregando a barriga da minha amiga Kelly. (Ok! Nesse caso mais como uma lâmpada mágica torcendo para que saia a ela e não ao pai)

São tão adoráveis quando riem, balbuciam, soltam gritinhos e se fixam em tudo, com seus olhinhos curiosos, receptivos e bonzinhos.

Um pouco mais velhos, me fazem perguntas tão fofas, do tipo:
(Olhando uma garrafa de água congelada)
- ¿Pero Prisci, como metes el hielo dientro?
Ou me convidam pra buscar formigas e fazer um observatório, com direito a grama, migalhas de pão e água da piscina.
Quando com os mesmos olhinhos curiosos, receptivos e (não tão) bonzinhos, reparam que eu pintei o olho mais do que normalmente, tenho uma picada de mosquito, comprei óculos de sol novos ou cortei demais a unha do dedão do pé.
Olhares atentos quando ensino a plantar bananeira ou dar cambalhotas dentro d´água e sorrisos agradecidos quando fazem por si mesmo.

Eu, A INTOLERANTE com crianças, TODAS (ponto), indiferentemente de sexo, cor, idade ou beleza... ... ...
Atentos.
Repiro: Atentos.
Quero ser mãe!

Surgem em mim os primeiros sublimes sopros de ser a melhor coisa que existe.

domingo, 23 de agosto de 2009

Mente e alma

Desde logo, "A sombra do vento" foi o melhor livro que li nos últimos tempos.
Acho que justamente porque segundo o próprio: "Um livro é um ritual íntimo é um espelho e que somente podemos encontrar nele o que já levamos dentro de nós mesmo".

Pra mim, o encanto de ler está em me transportar um pouco, ou muito, na história do livro e justo, ver algo de mim nele.
Nesse, vi não só de mim, como alguns dos que quero bem e dos que nem quero ver perto.


Adorei!
Adorei!
Adorei!

Leia.

(:

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

¿Yo no y tu?

Nunca perseguí la gloria

ni dejar en la memoria

de los hombres mi canción;

yo amo los mundos sutiles,

ingrávidos y gentiles

como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse

de sol y grana, volar

bajo el cielo azul, temblar

súbitamente y quebrarse

Antonio Machado. Castilla, 1912.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Recordação

Esse domingo, como quatro ou cinco vezes ao ano, lembrei de ti.
Pensei na tua pessoa, na maneira bonita como me contaram coisas e da decisão que tomaste naquele dia sem pensar em mim e nem em ninguém.

Me perguntei o por que da nossa relação não levo muito?
E cheguei a conclusão que talvez seja pela poucas primaveras de então; o tempo transcorrido desde; o fato de nunca ter querido saber muito sobre; também porque o clã não é nem nunca foi e sobretudo porque alguém ocupou esse vagão.

Nunca tinha pensado no teu lar pela ótica do livro (Zafón, ainda) “[...] o frio, o vazio e a fúria daquele lugar, o horror do seu silêncio, dos rostos aprisionados em velhos retratos abandonados à companhia das velas e flores mortas”

Porque os laços se desfazem?

domingo, 9 de agosto de 2009

Direções

Agora saindo do metrô, ainda no corredor indo em direção a rua, fui açoitada por uma rajada de vento e pronunciei baixinho um:
- Que frioooo!
Cruzando comigo, um menino bonito e todo estiloso me pergunta:
- Tens frio?
Envergonhada, pensando que falar sozinha é herança da senhora minha mãe, respondi:
- Um pouco...
E ele:
- Te abraço?

Quase que eu quis..

sexta-feira, 7 de agosto de 2009